sexta-feira, 11 de junho de 2010
p. s. # 2
O amor é uma torrente contínua, é o que diz a rimíni sofía; envolvidos no fascínio e terror do amor, fechados à contracapa do livro, impelidos à vida inconfessável que transparece em todos os gestos, e na ausência dos mesmos, o espaço vazio a cobrir o rosto que se deforma de dor ao suspender o passado, um palmo acima da cabeça, tormenta à espreita; onde as coisas cessam, começa o amor a retratar com seus tentáculos, mar à noite, à tarde todo o deserto – pois que apenas aparente o amor erigia a sua morada no seio da floresta, e chegava a viver disso, em fatos – mas sabia, diz um sempre ao outro, o amor não tem registro, não é abandonável, é ele que escolhe de repente se retirar, não antes disso – não, é o vermelho dentro do calor do olho no deserto, é toda a sede do mundo enlouquecendo a minha inteligência, amante do pensamento, que é toda a sua imagem, dominando, sua nota carregada no futuro, a construir sobre a pele sua atmosfera íntima, tramas que videntes poderiam vislumbrar, alheios, à toa, lhe dizia, às tonas, era a resposta louca de amor, a palavra corrompida do seu incêndio, como nada que atravessa a água, senão ela – dentro dos livros se preservam a dor dos personagens, sua magnífica beleza estirada ao sol, secando, queimando nossos dedos; sim, dizia C a N, sua torrente particular, a luz começa apenas a despontar de dentro da janela –
terça-feira, 1 de junho de 2010
A grande forja era o que alimentava
desde os arredores
as mãos dos homens, e animais entre dedos pendiam
com a mesma idade de olhar o fogo
com que fora se espalhando esta farsa antiga
um cheiro subia
visualmente, através da espera
quando as conversas e a música eram trançadas
devagar
desde os estertores da língua humana
que gracejava já de si, imensa, satisfazendo ânimos
e terminava
à força de se moldar as crinas, dentro da fuga espelhada
[no cozimento lento
desde os pormenores do mais tenro carneiro
à gula
descendo direto pela garganta a voz da noite
que vinha
no alongar dos anos, derrotar a inteligência
no momento em que esta se criava, aos vinhos
forcejando entre as pedras do crânio
e não dizer nada era voltar ao ponto em que as
mãos desciam, suavemente
entre o barro, circunflexas,
para esquecer, somente, o engodo
de estar ali descendo.
desde os arredores
as mãos dos homens, e animais entre dedos pendiam
com a mesma idade de olhar o fogo
com que fora se espalhando esta farsa antiga
um cheiro subia
visualmente, através da espera
quando as conversas e a música eram trançadas
devagar
desde os estertores da língua humana
que gracejava já de si, imensa, satisfazendo ânimos
e terminava
à força de se moldar as crinas, dentro da fuga espelhada
[no cozimento lento
desde os pormenores do mais tenro carneiro
à gula
descendo direto pela garganta a voz da noite
que vinha
no alongar dos anos, derrotar a inteligência
no momento em que esta se criava, aos vinhos
forcejando entre as pedras do crânio
e não dizer nada era voltar ao ponto em que as
mãos desciam, suavemente
entre o barro, circunflexas,
para esquecer, somente, o engodo
de estar ali descendo.
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