terça-feira, 28 de setembro de 2010

p. s. # 8

Sim, a gata sabia que nada do que estava se lendo na política reluzia aderindo aos olhos do que se chamava, por outro lado, o povo soberano caindo pelas próprias tabelas de pernas convulsas, e seu espírito se expandia, elétrico, ao ler as cifras desta realidade que escapava a G, gata serpenteante, com movimentos paradoxais de tão felinos nos olhos de G observando o cigarro a se extinguir, acompanhando os cúmulo-nimbos de seus pensamentos, tormenta caindo tão devagar que desprender-se da cabeça não constituía o enigma necessário da sua configuração, gata tumultuosa, mas a própria água impedida quimicamente de cair.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

p. s. # 7

é como decidir sentar-se um pouco, parar, é preciso dizer, uma vez sentado a condição melhora, regula-se a respiração por dentro, o vento por fora a dobrar o mistério, seus mil lados desfigurando, e ao contrário, um clássico do pensamento na contraluz, diria, estabelecendo um princípio de diálogo mas nem sequer é mais que o compasso da respiração, ainda é cedo pra caralho. pra cadência, respondia, a confundir o tempo verbal, a tormenta louca a dissipar seus ramos; ainda é breve, eu entendo, dizer é recuperá-la, os corredores extremos dentro do abatimento respirando-a contra o fôlego, provocativa. pronominal, respondia outra vez, a marcar o ritmo. nem sequer diálogo, ou microconvulsão de vozes, mas um ritmo começando a durar apesar de tudo: o dia inteiro pela frente, segunda-feira, pensou C ainda com hífen, e se levantou, em microsegundos de após e adiante, desviados agora ao plano secreto da retomada.
Através do abatimento, extremo, corremos
enquanto a razão dos homens
a desviar seus ritos, trazia
do horror à calma
olhos e mãos mais perdidos que a vida
e dentes a mastigá-la, convulsa, tecendo
ao descermos
dos nomes próprios à manhã exata e escura, que avança
e ao atravessarmos enfim o escurecimento
correndo, de júbilo com medo correndo
enquanto dormitam aos pés de tais homens suas crianças
e o turbilhão de palavras antigas nelas dormindo
ao pé dessa língua, em tempos, perdida, poema
irmão gêmeo a roubar-se da loucura
dissemos, cavando, descendo,
enquanto riu-se, sobre a comida que partimos
(e da calma à vigília), o problema:
poema correndo através da loucura de um dia
o dia fortuito de tempo descendo, à procura
o quanto
e abatidos e extremos
falando à memória mal nascida do rito
ao cavar, aguardando, calamos
trazendo (nelas, em sonhos, caindo)
o som que cada verso, ao deslocar-se
ao fundo, sem fúria,
perdia.