a gata schuman, revirando o frontispício, trouxe enrolada na cauda cor de cevada uma imagem de lisboa, dizia, ignorando a falta de hífens não reais, calçacor, era o que roçava por seus óculos, a gata andava míope dos últimos acontecimentos, revirando suas latas, se esmerando na política, traficando queijos pela bagagem, gata andarilha, uma imagem que Y lhe enviara como um presente na ausência, a Casa Malta irradiada das sombras espirituosas que riam da própria realidade, era um riso com frescor, dizia Y na imagem e a gata sentia perpassarem-lhe o cérebro cargas de astúcia elétrica, definiria antes que felina, a gata se lembrava das igrejas semi-afundadas que visitara no rastro da cidade perdida de Outrora, thelonious monk na cacunda, algo como a revelação próxima de um segredo, tão complicado e selvagem que só caberia em sonhos, pensava C ao ouvir falar a gata, e lisboa se erguia agora minúscula como só poderia em arquivos de imagem (Y calculava com que tempo e distância estaria ele, agora, ancorado nas paredes do Castelo, afastado de uma paisagem dos muitos séculos),
não, dizia G olhando a imagem digitalizada, sem mexer em absoluto os lábios, enquanto Y, perto dalguma janela d’alma, postergava a fumaça de seu charuto – ou charutela, dizia-se, a partir da cidade de Outrora, obscurecida sempre, e saindo agora da matéria;
khalehb poderia cantar interminavelmente, pensou C ao lado de N, ao lado de Compay que enrolara por sua vez charutos de tabaco em cuba desde os nove, poderia fazer caber a sua voz dentro da ilha, o exílio e o reino, sobreveio a N no exato momento em que observava seu pai rir-se alegremente da mestiçagem das músicas latinoamericanas (o mesmo que dizer a áfrica ou a loucura árabe) e servindo-se um vinho chileno sob o sol escaldante das duas horas da tarde.
Nenhum comentário:
Postar um comentário