"vou me mudar para os meus
pés, de lá será mais fácil
fugir" A. Machado
T andava pelo metrô distribuindo os impactos de seu corpo, era o que C já sabia desde que ouvira falar da partida, essa distribuição que iria operar através do mapa a trajetória dessa irmã para sempre instalada na melhor parte de sua memória, e isso era enfrentar a morte em absoluto, donde se crispava o amor a entalhá-la, deusa noturna, era o que sentia lendo a existência de T, provocando-a ao extremo de sua própria vida. Era o reflexo ou sombra de nuvem, pensava C, essa mana ousada, atravessadora de limites; encostando a barriga mais perto ao fogo, manobrava lentamente a idéia de que os seus próprios passos presos ao través de suas canelas (momento lírico: homenagem choro para tumbas do bisavô Pingo, esse torto pagão) se inspiravam naqueles que acompanhavam T por suas incursões geográficas. Atrizproblema, imaginava C, enquanto apurava, dentro da imobilidade, o vapor dos olhos sobre a panela antiga, as forjadas mãos, deusa da beleza, peso e centro. Atrizvertigem, palavra pendendo das alturas, aderindo sobre a irmã dentro da iluminação exata, as marcações deste corpo a retirar densidade do espaço, descobrindo para fora o que insistia em permanecer, a gravidade além dos fatos, e depois decorando essa matéria. Uma passagem sutil, reconhecia C olhando a fuligem debaixo das unhas, o suspiro do fogo, a vã promessa, a fração depurada nas mesmas porções de tempo que afetavam sempre, como as sobras que esperavam o adormecido corpo, na convulsão da noite. Sobrando, dobrando. E como através do problema se apressava a vertigem, decidiu escrever a T uma carta, que no fim das palavras era apenas uma neblina, que C desejaria usar para cobrir o rosto, o frio e o tempo poderiam aderir à pele, para a irmã distendendo o espaço, curva onde a palavra mais difícil estaria oferecida.
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