domingo, 8 de agosto de 2010

a teta

a mão que desenha tem detrás de si tais olhos
que em ponto fixo lhe transtornam
e lhe condenam.
como as mãos nas páginas viradas dum livro
(a mirada móvel, sua micro explosão de estrela)
configuram em ti partes dum exílio íntimo
que a mão no traço se desdobra.
fúria do silêncio, nome sem memória
a vibrar o arco e a duração calculados pelo mundo
seu pendor da alma trêmula a uma obscuridade mais intensa
ou vã loucura.
com tais pontos fixos se contém e despedaça a vida
e com tal malícia
que ela, em vãos, minúscula se conforma.
pai na sombra da loucura
essa terra para ser lida totalmente aberta
alude adiante teu desenho bruto
pai percorrendo adentro da teta.
como os olhos que enfim na dobra
ultrapassam a terra, o amor, a testa a mão.
o tempo se estilhaçava em si mesmo
e costurar a noite da cabeça
(que se espalhou de um olho só
na mínima parte, por dentro do tempo)
foi decompor um tão temível sonho
e dormir com tal arte por cima do monstro,
que a terra então foi abatida a ferro
e queimou-se o sangue por dentro da morada.
sobre o fogo então o pai falava,
e da tua voz sobrou no fim a água
que enxugou o nosso amor, e o nome
as formas brutas que desapareceram
a fundar a espera e a procura.

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